Atenção: A professora também notificou que provavelmente no mesmo dia,
30 de março de 2020, poderá ser realizada a
prova sobre o Pré-modernismo e o Modernismo, mas devido ao coronavírus as aulas foram suspensas e a prova só deverá ser realizada quando regressar às aulas.
Data da lição: 23 de março de 2020
Atividades publicadas no blogue da escola para fazer em casa
Primeira atividade (para deixar no caderno)
Copie o texto, leia e responda às questões no caderno.
Segunda fase/geração (1930-1945)
A segunda geração modernista, livre do compromisso de combater o passado, manteve muitas das conquistas da geração anterior, mas também se sentia à vontade para voltar a cultivar recursos poéticos que o radicalismo da primeira geração tornara objeto de desprezo, tais como versos regulares (metrificados) como o soneto.
Grandes criadores da poesia dessa geração escreveram sobre diversos temas, usando estruturas poéticas tradicionais e modernas, simultaneamente. Revalorizam e conciliam elementos da tradição com os elementos novos. Os gêneros literários, as formas poéticas fixas, os estilos tradicionais voltam a aparecer.
Outro traço dessa 2ª fase é a temática de 22, "
a consciência de nacionalidade, tendo a ampliar-se para
a consciência social", abrangendo questões regionais num contexto universal de natureza política ligada ao sistema capitalista, as desigualdades, a opressão e a desumanização que a poesia precisa denunciar. É como se o poeta fosse o porta-voz do povo brasileiro e de suas preocupações e sua difícil situação sociopolítica, econômica e cultural, onde a denúncia social é vista na poesia e na prosa como verdadeiro documento da realidade brasileira.
Texto 1
No meio do caminho
Carlos Drummond de Andrade
No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1973. p 61-62.
I. No poema, observamos algumas tendências do modernismo. Registre no caderno as alternativas que correspondem as características do modernismo.
a) Faz uso irreverente da linguagem coloquial.
b) Jogo rítmico, que reflete o estado psicológico do movimento.
c) Uma poética de tendência exclusivamente futurista.
d) Linguagem marcada pela repetição.
e) Expressa preocupação do poeta com o homem.
Correção: Alternativas A, B, D e E.
Texto 2
Mãos dadas
Carlos Drummond de Andrade
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
Não darei os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1973. p. 111.
Sobre o poema, tente:
I. O que o título do poema significa ou representa?
Correção: Significa o desejo do poeta de ver unidos todos os homens em torno de uma vida mais justa e humana.
II. A que se refere o autor ao escrever "mundo caduco"?
Correção: Um mundo ultrapassado no sentido de um mundo que não acompanha a evolução.
III. Quando ao aspecto formal que característica modernista o poema apresenta?
Correção: O uso do verso livre.
IV. Qual é a ideia central do poema?
Correção: O poeta defende o tempo presente e a união entre os homens.
V. Em que verso está seu desejo de solidariedade?
Correção: No 6.º verso.
VI. O que significa:
a) taciturno:
Correção: que fala pouco.
b) Serafins:
Correção: anjo ou pessoa de extraordinária beleza.
VII. Podemos concluir que o autor tem uma visão:
( ) pessimista quanto ao presente.
( ) otimista quanto ao presente.
Correção: otimista quanto ao presente.
Foto da primeira atividade
Palavras cruzadas
Horizontal
1) É um tipo de texto dissertativo-argumentativo, nele o autor tem por finalidade apresentar determinado tema e seu ponto de vista, informar, persuadir. Possui característica de um texto jornalístico.
Correção: Artigo de opinião
2) Fase que caracterizou-se pelo abandono dos diversos ideais de 1922 defendidos pela 1 fase do modernismo, criando novas regras que permitiam a liberdade para o artista criar.
Na poesia, o retorno à antiga forma rigorosa da poesia, deixando de lado o verso livre instaurado em 1922.
Na prosa, abordagens psicológicas, preocupação em trabalhar o aprofundamento psicológico dos personagens para entender o ser humano. Obras íntimas, personagens introspectivos voltados para si mesmo, para seu "eu", para seu interior.
Duas preocupações do poeta, a metalinguagem e a denúncia social.
Correção: Terceira fase
3) É uma estratégia expressiva de construção de texto que se caracteriza pela imitação cômica, de caráter contestador, irônico, crítico ou satírico.
Correção: Paródia
4) Período de transição, anterior a Semana de Arte Moderna. Ao mesmo tempo que encontrávamos características conservadoras conseguimos encontrar também uma literatura mais engajada mais moderna para a realidade do país.
Correção: Pré-modernismo
5) O ponto de vista que uma pessoa tem a respeito de algo, interpretação dos fatos.
Correção: Opinião
6) A Semana de Arte Moderna, evento que foi realizado no Teatro...... de São Paulo em 1922.
Correção: Municipal
7) É a ideia que defendemos, necessariamente polêmica, pois a argumentação implica posicionamento, defesa do ponto de vista, o que pode implicar, evidentemente, em divergência de opinião.
Correção: Tese
Vertical
8) Fase que caracterizou-se pela negação do passado, rejeição de padrões literários e gramática tradicional.
Linguagem informal, escrita aproximada de fala popular (coloquial), sem se preocupar com erros gramaticais, versos livres e brancos (poesia sem regras de rima e de métrica), temas tratados com ironia, poema-piada, crítica, paródia, temas inspirados no cotidiano das pessoas.
Correção: Primeira fase
9) Fase que a literatura dividiu-se em poesia e prosa:
Na poesia, continua com os versos livres, mas também encontramos uma poesia mais amadurecida e sensível, voltada para o sentimento humano, voltam as rimas e a métrica, em algumas poesias. Questionamento sobre a existência humana, o indivíduo não se encaixa naquela sociedade havia um mal-estar entre o indivíduo e sua realidade.
Na prosa, voltada para a crítica social, trazendo à tona os retratos de várias regiões do país o regionalismo, em destaque para o nordeste como forma de denúncia dos problemas sociais de cada região do Brasil, como: as desigualdades, a fome, a seca, a miséria, a vida sofrida e o jeito de falar. Interesse pelos temas nacionais.
Correção: Segunda fase
10) Quantas fases possui o modernismo?
Correção: Três
11) Aquilo que realmente aconteceu, que existe, e que pode ser provado.
Correção: Fato
Foto da segunda atividade
Data da lição: 30 de março de 2020
Copie o texto, leia e responda às questões no caderno.
Terceira fase/geração (1945-1960)
Apresentam-se, neste poema, características marcantes da geração de 45:
Propunha-se uma
temática universalista, e a volta ao
rigor expressional, revalorizando o
verso metrificado e o
cultivo da norma culta.
Trechos de "morte e vida severina"
(João Cabral de Melo Neto)
— O meu nome é Severino,
não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem fala
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra.
Linguagens, códigos e suas tecnologias - Literatura - (Programa de ensino para jovens e adultos)
Sobre o poema, tente.
I. Quem é o protagonista em Morte e vida Severina?
Correção: Severino é o protagonista que, desde a sua apresentação, insiste no caráter comum de seu nome. De substantivo, Severino passa a ser usado como adjetivo.
II. O que o protagonista, quis dizer com? "Não tenho outro de pia".
Correção: A expressão “pia” pode referir-se à pia batismal. No seu contexto de uso, sugere o registro de nascimento de Severino.
III. Quem são os Severinos a que o poema faz referência?
Correção: Qualifica a existência dos Severinos e apresenta a vida daqueles seres marginalizados, determinada pela morte, sendo eles os retirantes que como o protagonista, foram escorraçados do sertão pela seca e da terra pelo latifúndio. O termo qualifica a existência como realidade dura, áspera.
IV. A existência de vários outros Severinos refere-se a que outra problemática desenvolvida no poema?
Correção: O poema revela um aspecto da vida severa, marcada pela seca, pela falta de trabalho, pela ausência da moralidade religiosa, basicamente de caráter social e envolve a caótica e degradante situação do homem nordestino, vitimado pelas secas, pela fome e pela miséria.
V. O que significa uma "vida Severina"?
Correção: O poeta registra as características da vida severa: uma vida em que a morte preside.
VI. O que significa uma morte Severina?
Correção: Uma morte severa sem precedentes, cuja vida foi marcada por trajetórias árduas.
VII. Retire do poema um exemplo de antítese.
Correção: O próprio título: Vida e Morte Severina.
Foto da atividade